Trecho do artigo "Cardiopatias Complexas. Do Conceito à Evolução" - Dr. Edmar Atik - Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Arquivos Brasileiros de Cardiologia 67(6):, 1996
"Por tudo, vale uma reflexão visando o futuro da cardiologia pediátrica como um todo, em especial acerca dessas cardiopatias complexas que continuam, ainda hoje, a desafiar a argúcia clínica e a perícia cirúrgica. O direcionamento, filosófico ou pragmático será a bússola do amanhã. No primeiro, através a eliminação da vida intra-uterina, aliás já praticada hoje em países do primeiro mundo e, o outro, na continuação da procura das soluções, da etiologia, da profilaxia, das técnicas mais acuradas a melhorar, mais ainda, esta nossa realidade atual.
Acreditamos que em linhas gerais, afora o desenvolvimento e conhecimento genético, bioquímico e celular mais amplos, úteis para a profilaxia e tratamento das cardiopatias congênitas, caso haja defeitos corrigíveis, a correção anatômica deva ser realizada ainda no período neonatal, a fim de se evitar os fenômenos adquiridos que possam obscurecer os resultados. Por sua vez, face a defeitos não corrigíveis, como ocorre com a maioria das cardiopatias complexas citadas, em especial as com isomerismo atrial direito, a solução talvez possa ser mais radical, como o transplante cardíaco.
A expectativa da cura sempre permanece viva, desde que a busca continue a solucionar os aspectos etiopatogênicos, profiláticos e à conduta mais adequada na cardiologia pediátrica em geral, cujos progressos inegáveis alentam o manejo, hoje, da criança com cardiopatia."
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